
Boa noite, amiguinhos. Espero que entendam o fato de eu já não considerar necessário entrar em detalhes sobre minha falta de sono (pois a mesma fora tão mencionada que é quase visível); ao invés disso contar-lhes-ei a respeito do quanto tenho aproveitado minhas noites — e, obviamente, meus dias também. Os períodos de leitura que duram praticamente o dia inteiro têm rendido muito, de modo que acredito conseguir acumular pelo menos trinta livros para a postagem de fim de ano (até agora, tenho pelo menos uns vinte livros lidos no decorrer deste ano), o que me faz satisfeita considerando que no ano anterior li apenas um ou dois.
Estou deveras contente pelo fim de agosto, que me foi um mês bem negativo e que, tanto figurativa quanto literalmente, foi frio. Felizmente a primavera está chegando e com ela suas lindas mudanças de temperatura extremas — ontem fez sol e as abelhas zuniam ao redor da minha amiga caneleira, hoje os pingos de chuva caem tão pesada e apressadamente que é difícil de organizar meus próprios pensamentos devido ao barulho dos bonitos.
A partir das três da manhã, minha mente começa a divagar com mais facilidade e acabo imaginando as coisas como elas poderiam ser. É tão triste que na minha cidade não tenha muito espaço para imaginação... É tudo tão feio, pequeno, quadrado. Queria viver em um lugar mais bonito, com árvores maiores e um gramado em que pudesse me deitar. Quando era mais nova, vivia em uma casinha com um pátio enorme e uma majestosa árvore que embelezava-se por inteiro quando chegava o nono mês, exibindo para toda a vizinhança suas lindíssimas flores cor-de-rosa e adornando-se com insetos muito coloridos que contrastavam toda sua magnificência. Sempre fui apaixonada por aquela árvore e o tamanho conveniente de seus galhos, nos quais tinha o prazer de me aninhar e passar longas tardes de primavera. Sinto muito a falta daquela árvore.
Na frente de minha casa tem uma linda caneleira que se enfeita de branco e faz festa com as abelhas assim que a primavera menciona aproximar-se. Cheira extremamente bem, porém receio que nunca será a mesma coisa do que a árvore tão linda que tomou conta de pelo menos um ano de minha infância (o melhor deles, arrisco dizer. O pátio era cheio de coisas incríveis e nunca me faltou espaço para imaginação, sempre havia algo novo para explorar e criar por lá). Logo que me mudei para a casa em que atualmente vivo, tentei subir na árvore para resgatar as memórias. Decepcionei-me de cara: Esta árvore tem muitas aranhas e insetos dos quais tenho no mínimo receio de me aproximar — uma coisa é se aproximar de abelhas, borboletas e formigas; outra coisa completamente diferente é fazer festa com marimbondos e aranhas.
Minha diversão por muito tempo foi brincar com as crianças da vizinhança (e aproveitar para subir nas árvores de suas casas e ampliar meu espaço criativo por lá mesmo). No fim de minha rua, morava uma menininha cuja casa sempre lembrou-me a uma floresta pela quantidade de árvores, a falta de cercado ou portão e os fundos, que acabavam basicamente dentro de um arroio. Creio que até meus dez ou onze anos brinquei muito com o pessoal da minha rua — enquanto eles não se mudavam. Ninguém fica muito tempo por aqui, a não ser eu e a menininha do fim da rua, que a propósito ainda brinca com outras crianças. Naquela época, ainda que minha casa fosse meio tediosa, as viagens de família eram aventuras incríveis e engraçadas, memórias positivas e coloridas que guardo comigo como tesouros.
Certa vez, acabamos indo até a nascente do Rio Sinos na cidade do Caraá (que a propósito, é linda, porém fica extremamente distante e quebramos o carro no meio do caminho). Consigo recordar perfeitamente as pontes, os animaizinhos, o cheiro de ar puro e a água cristalina do rio. Apesar de toda a família comentar o ocorrido como um infortúnio, admito ser consideravelmente apegada àquele dia. Sinto um pouco de falta da época que minha família e eu arriscávamos conhecer lugares diferentes, praias aleatórias, parques bonitos, cidades distantes. Gostaria de reviver minha viagem a Gramado e Nova Petrópolis. Caso tivesse a chance, libertaria sem pestanejar os espíritos livres que foram trancafiados dentro da casca grossa e adulta da personalidade fechada e estressada pela qual meus pais foram consumidos. Hoje em dia nos reduzimos a shoppings e coisas completamente quadradas que me tiram completamente a vontade de sair de casa (sim, como muitos artistas me tornei uma "praga virtual" usando este meio como último escape para o mundo da imaginação).
Há poucos meses, encontrei um lugar onde minha imaginaçãofinalmente pôde ser solta outra vez: Minha nova escola. Não é como se fosse "grande coisa", mas acredito que contato com a grama e uma ou duas árvores sejam mais que suficientes para quem tem as ideias no lugar e consegue deixar o pensamento ir mais além. Reconheci de cabo-a-rabo a porçãozinha de natureza com a qual podia ter contato e por um tempo, eu e meus amigos sempre ficávamos em algum lugar muito incrível no qual não importava para onde eu olhasse, sempre havia algo em que reparar. E quando as coisas acabavam? Mudávamos de lugar. Foi bom enquanto durou, pois logo decidiram encher a escola de restrições, proibir-nos o acesso a determinados lugares que coincidentemente eram meus favoritos, restrição de horários, de turnos, de tudo — o ponto foi tão crítico que agora, nos horários em que estamos liberados da sala-de-aula e que não estamos em intervalo, ficamos restringidos a uma "sala de atendimento". Novamente, estou limitada a uma sala quadrada sem graça completamente pintada de branco na qual não era possível imaginar algo legal nem que eu tivesse ganho o prêmio de pessoa mais imaginativa do ano.
As pessoas parecem já não aceitar muito bem espíritos livres hoje em dia, é como se todo mundo estivesse obrigando-nos a trancafiar nós mesmos dentro de nossas próprias cascas, vivendo eternamente nessa rotina vazia. Entretanto, não acho que eu consiga me adequar a essa regra (e acreditem, eu já tentei muito). Torço para que não me trancafie dentro de mim mesma quando a vida adulta bater à porta, pois sem um pouco de imaginação a vida pode ser um peso morto em nossas costas, ah, como pode! Espero que possa sair dessa cidade e jamais me prender a um lugar outra vez, a menos que esse lugar realmente tenha muito espaço para a manifestação de toda minha criatividade.
Na frente de minha casa tem uma linda caneleira que se enfeita de branco e faz festa com as abelhas assim que a primavera menciona aproximar-se. Cheira extremamente bem, porém receio que nunca será a mesma coisa do que a árvore tão linda que tomou conta de pelo menos um ano de minha infância (o melhor deles, arrisco dizer. O pátio era cheio de coisas incríveis e nunca me faltou espaço para imaginação, sempre havia algo novo para explorar e criar por lá). Logo que me mudei para a casa em que atualmente vivo, tentei subir na árvore para resgatar as memórias. Decepcionei-me de cara: Esta árvore tem muitas aranhas e insetos dos quais tenho no mínimo receio de me aproximar — uma coisa é se aproximar de abelhas, borboletas e formigas; outra coisa completamente diferente é fazer festa com marimbondos e aranhas.
Minha diversão por muito tempo foi brincar com as crianças da vizinhança (e aproveitar para subir nas árvores de suas casas e ampliar meu espaço criativo por lá mesmo). No fim de minha rua, morava uma menininha cuja casa sempre lembrou-me a uma floresta pela quantidade de árvores, a falta de cercado ou portão e os fundos, que acabavam basicamente dentro de um arroio. Creio que até meus dez ou onze anos brinquei muito com o pessoal da minha rua — enquanto eles não se mudavam. Ninguém fica muito tempo por aqui, a não ser eu e a menininha do fim da rua, que a propósito ainda brinca com outras crianças. Naquela época, ainda que minha casa fosse meio tediosa, as viagens de família eram aventuras incríveis e engraçadas, memórias positivas e coloridas que guardo comigo como tesouros.
Certa vez, acabamos indo até a nascente do Rio Sinos na cidade do Caraá (que a propósito, é linda, porém fica extremamente distante e quebramos o carro no meio do caminho). Consigo recordar perfeitamente as pontes, os animaizinhos, o cheiro de ar puro e a água cristalina do rio. Apesar de toda a família comentar o ocorrido como um infortúnio, admito ser consideravelmente apegada àquele dia. Sinto um pouco de falta da época que minha família e eu arriscávamos conhecer lugares diferentes, praias aleatórias, parques bonitos, cidades distantes. Gostaria de reviver minha viagem a Gramado e Nova Petrópolis. Caso tivesse a chance, libertaria sem pestanejar os espíritos livres que foram trancafiados dentro da casca grossa e adulta da personalidade fechada e estressada pela qual meus pais foram consumidos. Hoje em dia nos reduzimos a shoppings e coisas completamente quadradas que me tiram completamente a vontade de sair de casa (sim, como muitos artistas me tornei uma "praga virtual" usando este meio como último escape para o mundo da imaginação).
Há poucos meses, encontrei um lugar onde minha imaginação
As pessoas parecem já não aceitar muito bem espíritos livres hoje em dia, é como se todo mundo estivesse obrigando-nos a trancafiar nós mesmos dentro de nossas próprias cascas, vivendo eternamente nessa rotina vazia. Entretanto, não acho que eu consiga me adequar a essa regra (e acreditem, eu já tentei muito). Torço para que não me trancafie dentro de mim mesma quando a vida adulta bater à porta, pois sem um pouco de imaginação a vida pode ser um peso morto em nossas costas, ah, como pode! Espero que possa sair dessa cidade e jamais me prender a um lugar outra vez, a menos que esse lugar realmente tenha muito espaço para a manifestação de toda minha criatividade.
- há tempos que eu estava com muita vontade de fazer uma playlist, aah! essa postagem não tem exatamente um propósito porque eu na realidade apenas acabei ficando muito nostálgica durante seu desenvolvimento e compartilhando aqui um pouco disso. seria super legal caso sentissem-se à vontade em falar sobre memórias de infância e de algo que vocês sintam falta. o lugar onde vocês moram tem espaço para a manifestação de seus artistas interiores?
Uma das coisas que eu mais sinto falta, junto com o meu avô, é a minha infância. Sem sombra de dúvida, foi um dos momentos mais mágicos de toda a minha vida e, infelizmente, é um tempo que não volta mais.
ResponderExcluirAcho que aproveitei minha infância dignamente. Subi na goiabeira da casa do meu amigo, comi iogurte que eu congelava para fazer tipo um sorvete, cai feio da bicicleta, caí da bendita goiabeira, cai do skate, torci meu pé (umas oito vezes), brinquei com os meus antigos cachorros (que já faleceram), brinquei de Monster High, fiz vídeo cantando no notebook, dormi com o uniforme da escola para não ter que passar frio botando o uniforme na manhã seguinte e mais um monte de coisas que eu sinceramente não lembro no momento.
Um dos melhores momentos em que sou capaz de usufruir da minha imaginação é quando estou escrevendo, mas infelizmente não estou conseguindo escrever tanto quanto gostaria. Acho que é o fato de que costumo escrever quando estou triste e eu ando bem felizinha até, então isso meio que compromete meus escritos e rabiscos.
Por outro lado, tenho usado minha imaginação ao máximo antes de dormir. Imagino de tudo um pouco: desde plots de fanfic não desenvolvidos até momentos do meu dia nas quais gostos de incrementar com alguns devaneios completamente aleatórios.
Mesmo depois de 18 anos nesse planeta Terra, admito que permaneço a ser refém da minha própria imaginação. Às vezes, sinto que ela é mais forte que eu, ou eu que sou fraca demais. São duas respostas totalmente plausíveis, por mais que eu sinta que a primeira opção é a que melhor esclarece minhas dúvidas.
Obs: amei a playlist. Simplesmente maravilhosa. Estou apaixonada por todas as músicas, acredita? <333
Um beijo, um queijo, um franganote, um senpai que te note e até mais ♡ | Indie
eu também aproveitei grande parte de minha infância de forma adequada, mas fico triste por ela ter durado pouco (em comparação com minha irmã, que foi criança até entrar no ensino médio, eu larguei a época de brincadeiras um pouco mais cedo).
Excluirescrever é realmente muito bom pra deixar que a imaginação nos tome conta, ainda mais quando temos experiências novas que nos deixam esperançosos e, consequentemente, imaginativos. eu sou também muito imaginativa e passo grande parte do meu tempo de bobeira, perdida em pensamentos. gostaria de poder ser tão boa falando como sou imaginando, mas as coisas parecem tão bobas quando tendo expressá-las...
ps.: que bom que tu gostou da playlist! eu amo montar essas coletâneas de musiquinhas pra vocês :)
Olá Joana! :)
ResponderExcluirO que você faz pra ficar sem sono? Pois parece que tenho sono dobro do normal, sério.
Que bom que suas leituras tem rendido ^-^. Recomende alguma delas pra nós?
Esse post está um amor. Adorei saber sobre sua infância, e adorei também ouvir essa playlist, qual com certeza ouvirei mais vezes.
Algumas memórias de infância que tenho relembrado estes dias são de onde eu morava alguns anos atrás. Lembro-me que adorava brincar na rua de terra que por lá tinha com os amiguinhos. Andar de bicicleta no campinho que meu jogava bola, soltar pipa junto com meus pais e irmão. Andar em meio ás muitas árvores que lá perto tem... Porém tempo depois, eu mudei para onde hoje moro, e foi muito bom ter mudado pra cá na época. Lembro que a rua por aqui tinha muitas crianças, e brincávamos de pega-pega, pique-esconde, queimada. Era muito divertido, mesmo. Lembrar dessas coisas me dá muita nostalgia boa.
Eu sempre fui muito dessa coisa de imaginação. Eu lembro também que quando eu era criança, eu tinha livrinhos de princesas, e como eu tinha 4, 5 anos, e ainda não sabia ler, eu olhava pras imagens dos livros, e ficava imaginando, criando uma história em minha mente, pros personagens das ilustrações.
Hoje em dia, continuando sonhando, e deixando meus pensamentos ir a encontro da criatividade, mesmo que ás vezes algumas pessoas julgam meu jeito de ser e imaginar as coisas, uma besteira.
Temo perder esse espírito na fase adulta. Mas farei o impossível para que não. E ir a encontro dos meus sonhos se tornando realidade, por mais loucos que possam parecer.
Muito obrigada por fazer-me voltar as boas lembranças de meu passado também ♡
na verdade, eu sou bem sonolenta. eu não consigo dormir muito por algum motivo desconhecido mesmo ksjdsk' hmm, eu vou guardar as recomendações para uma mega postagem que estou planejando para o fim do ano, tá? por enquanto, tu pode acompanhar minhas leituras atuais pelo gadget lateral que mostra o livro que estou lendo dessa vez :)
Excluireu aprendi a ler bem cedo, mas eu adorava escrever minhas próprias histórias baseadas em livros! (eram péssimas, mas eu ainda assim amava c:), e eu também sou muito imaginativa atualmente. o pessoal tende a me chamar de "brisada", mas eu não me importo muito. obrigada por compartilhar tuas memórias positivas comigo, também ♡
acho que eu perdi o nome (de novo)
ResponderExcluirmeu deus voce é um ser magnífico.
tu é um anjinho gabriela peluda ♡
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