25 fevereiro 2018

paixão é uma lata de refri

Eu não gosto muito de refrigerante. Quer dizer, a bebida é boa e tudo mais, é doce e me traz uma sensação gostosa. Na verdade, eu não gosto muito das consequências de beber refrigerante, por isso evito ao máximo bebê-lo. Às vezes o gás machuca a garganta ou o nariz, às vezes eu me engasgo, às vezes me dói o estômago. Às vezes eu desfruto perfeitamente daquela sensação, sem prestar atenção no fato de que a bebida está me matando de pouco em pouco.
Tem vezes que eu não posso tomar refri, mesmo que queira muito. Às vezes eu vejo refrigerante na rua e penso "minha nossa, como eu queria poder tomar refri agora". Mas simplesmente é algo que está fora do meu alcance, afinal eu não o tenho. Olhar para o refri nessas situações é como olhar pra ti.
Eu não curto me apaixonar, acho que só fiz isso uma vez ou duas (o que não foi agradável, afinal só fiquei sentindo em silêncio). Evito ao máximo deixar meus sentimentos tomarem conta de mim, gosto de manter tudo sob controle. Todo mundo diz que é uma coisa boa, que é saudável e perfeitamente "normal" do ser humano querer se apaixonar. Mas todo mundo diz que é normal tomar refri. E aqui estou eu, com medo da droga do efeito que isso me causa. Não consigo pensar direito. Não consigo me concentrar. Não consigo agir da forma que acho coerente. Quero fazer tudo da forma mais calculada possível pra ter o meu refri o mais cedo possível. Parece que nesse momento em especial estou desesperada por refri. Às vezes eu fico sem graça e não consigo falar o que realmente quero, soltando alguma piada aleatória. Meu estômago embrulha e meu corpo ferve toda vez que vejo refri. Eu não gosto disso, não gosto de ficar à mercê das consequências da bebida.

Eu acabei de tomar uma lata inteira de refri. E meu deus, eu realmente preferia sentir o gás machucar a garganta ou o nariz do que sentir meu estômago embrulhar por pensar em ti. Será que consigo te comprar com pepsi?

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